No Banco de Leite do Hospital Inácia Pinto dos Santos (Hospital da Mulher), em Feira de Santana, os três primeiros meses do ano são considerados os mais críticos para doações. O banco sempre teve como prioridade atender às mães que tenham alguma dificuldade na amamentação e aos bebês que estão internados na unidade e em situação de risco. A coleta é realizada, também, nos domicílios das doadoras.
Durante o ano, alguns projetos, como o Amigos do Peito, são realizados nos hospitais de Feira de Santana com o propósito de arrecadar leite materno e estimular as mães lactantes a doarem leite. As doações são direcionadas aos recém-nascidos prematuros e em situação de risco internados na unidade e em outros hospitais de Feira.
Atualmente, o Banco de Leite conta com a colaboração de 53 mães doadoras. Segundo a enfermeira Gislane Marins, coordenadora do Banco, a quantidade de lactantes doadoras é insuficiente para a demanda do hospital. “Nós já tivemos épocas melhores, em termos de estoque. Os meses janeiro, fevereiro e março deixam a desejar. Neste período, estamos tentando suprir todas as necessidades com o estoque que conseguimos ao longo do ano de 2009, com os projetos realizados em todos os hospitais de Feira, a exemplo do Amigo do Peito”, comentou Gislane.
A avaliação clínica da mãe doadora é feita no momento do pré-natal e no momento do cadastramento que antecede a coleta do leite. Outro pré-requisito exigido para ser doadora é ter uma boa quantidade de leite. Para ser doadora, a mãe não deve ter nenhum problema de saúde. “Quando a mulher informa ao banco que deseja ser doadora, o veículo da unidade se desloca até a sua residência e é feito um cadastro, onde se verifica o estado de saúde da mulher e é encaminhado ao banco e analisado pela equipe. Com isso, percebemos se ela pode ou não ser doadora”, ressalta Gislane. “As doadoras não podem ser portadoras de HIV ou HTLV, pois esses vírus contaminam o bebê”, acrescenta.
Cuidados com o leite
Antes que o leite seja utilizado e enviado para consumo, ele passa por um processo de pasteurização e controle de qualidade, onde são tirados todas as impurezas e vírus prejudiciais ao organismo de um recém-nascido. Segundo Lucinalva Gonçalves, mãe de uma recém nascida, as campanhas de aleitamento materno tranquilizam muitas mães. “Tive minhas duas filhas e não tive condição de amamentar, porque não tinha leite. Se não fosse o banco de leite, eu não saberia o que fazer. Fiz uma cirurgia na mama e quando minhas filhas nasceram não tive leite para amamentar. As campanhas de aleitamento materno deveriam ser mais divulgadas”, destacou Lucinalva.